Presidente Jânio Moraes fala sobre o tricampeonato e os
desafios de 2017
Um clube não pode fugir de suas responsabilidades. Após
cinco anos na Primeira Divisão, o Nova Iguaçu acabou rebaixado no ano passado e
disputou esta temporada a Série B do Campeonato Carioca. Trabalhou, montou um
time competitivo e conseguiu o objetivo: ser tricampeão da Segunda Divisão e
retornar à divisão de elite do futebol carioca em 2017. Agora, é hora de
trabalhar ainda mais.
Nesta entrevista especial, o presidente do Nova Iguaçu,
Janio Moraes, fala sobre a importância dos laços do clube com o torcedor
iguaçuano e da Baixada Fluminense como um tudo, as dificuldades que encontrou
este ano por ter disputado a Série B, a política de aproveitar os talentos
revelados pelo clube no time principal e o planejamento para a próxima
temporada. Vale a pena conferir.
Depois de um rebaixamento
sofrido no ano passado, o Nova Iguaçu deu a volta por cima e conquistou o
acesso sendo tricampeão da Série B. Com que moral o clube sai desta temporada?
Saímos bem da competição, campeões, confirmando nossa ida
para a Série A. Descemos ano passado, subimos esse ano. Atingimos todas as
nossas perspectivas. Dos 28 jogadores, 19 foram feitos em casa. Isso vem de
encontro com a filosofia que o clube trabalha desde que foi fundado, em 1990.
Estamos muito felizes, porque com 70% do elenco feito em casa conseguimos o
título e subir com convencimento.
Ainda mais com as
dificuldades que a Série B coloca, como a falta de exposição, de verbas…
Foi uma vitória bastante contundente, saímos de uma
situação muito ruim e que nos causou um prejuízo enorme. Às vezes, o torcedor
vê que estamos liberando alguns jogadores para os clubes grandes, mas estas
liberações são de meninos de 15 a 18 anos. O Nova Iguaçu não ganha nada com
isso, só projeta um futuro promissor para o clube. Isso se faz necessário.
Quando descemos, tivemos um prejuízo de quase 70% do nosso orçamento anual.
Temos que ter outra fonte futura para que possamos equilibrar as finanças do
clube. Temos um custo muito alto. Nosso patrocínio atinge apenas 18% do nosso
custo operacional anual, e precisamos buscar outras fontes. Hoje temos 13
jogadores em clubes grandes, mas eles ainda não geraram recursos, é uma
perspectiva para o futuro. Não podemos impedir também a saída dos garotos que
acreditam no projeto, não vamos segurar jogador. É saudável para o clube, para
o jogador, cria uma autoestima enorme. Vamos caminhando, captando recursos
externos para investir no próprio projeto. Tudo que ganhamos até hoje foi
investido no Centro de Treinamento, é só vir visitar o nosso CT para comprovar.
Dois mil e dezesseis foi o ano em que mais colocamos jogadores na vitrine.
O Nova Iguaçu conquistou os
dois títulos deste ano, a Taça Santos Dumont (nome dado ao primeiro turno) e o
tricampeonato da Série B, em casa, no Estádio Laranjão, diante do seu torcedor.
Isso deixa um gosto especial?
Isso é muito especial. Temos que ir tirando as dúvidas
dos torcedores, temos que mostrar a nossa dedicação e o amor ao clube. É dessa
maneira que vamos conquistar os torcedores. Não existe outra maneira se não
passar para ele o por que de ele estar torcendo pelo clube. Ele precisa sentir
firmeza, sentir entusiasmo em torcer pelo clube. Procuramos sempre passar a
seriedade do projeto. Por isso que estou dando essa satisfação sobre o por que
do Nova Iguaçu ter liberado esses garotos para os grandes clubes. É para captar
recursos para investir cada vez mais na estrutura do clube, no estádio, em boas
equipes, em permanecer na Primeira Divisão… Não se pode montar um bom time sem
dinheiro. Tem que contratar jogadores que se identifiquem com o clube também. É
muito importante essa união do clube com os torcedores. Precisamos muito do
apoio deles, de que comprem a camisa oficial do Nova Iguaçu, divulguem o clube…
É assim que se cresce. Nossas redes sociais têm alcançado muita gente e tem
sido motivo de muita satisfação para todos nós. Às vezes tem alguma crítica,
outro dia um torcedor colocou lá que o Nova Iguaçu só quer ganhar dinheiro.
Não, não é isso. Precisamos investir no clube. O Nova Iguaçu não é patrocinado
por prefeitura, não tem sócio-torcedor ainda. Quando o estádio tiver uma
estrutura melhor, com uma cobertura, refletores, aí sim podemos partir para o
sócio-torcedor, para que ele tenha um conforto maior. A única contra-partida
que eu peço é que continuem torcendo, que confiem, comprem os nossos produtos
oficiais. Assim estarão ajudando o clube. Vamos fazer de tudo para não
decepcioná-los. Essa parceria é fundamental, nós temos consciência do que
estamos fazendo. Se não tiver competência, honestidade e uma visão futurista,
não há progresso. Precisamos realmente do torcedor, ele é fundamental para nós,
até como uma motivação, incentivo para continuarmos o nosso trabalho. Quero
aproveitar a oportunidade e agradecer aos torcedores. No último jogo estava
chovendo, uma sexta-feira à tarde, frio, e mesmo assim o Laranjão estava
lotado, e compartilhamos o tricampeonato com todos. Isso só nos fortalece e
motiva para cada vez mais trabalhar e ser um orgulho para a Baixada Fluminense.
O senhor falou sobre a
quantidade de jogadores revelados pelo clube no elenco que foi campeão. Por ser
um clube reconhecidamente formador (foi o primeiro do Rio de Janeiro a receber
o Certificado de Clube Formador da CBF, em 2013), o fato do gol do título ter
sido marcado pelo atacante Marlon, que está no clube desde os 11 anos de idade,
acaba sendo um símbolo dessa política?
O time titular do Nova Iguaçu tinha o Yan ou o Vinicius
Matheus na lateral, com 21 anos; o Lucas, 21 anos; o Marlon, 21 anos; e o
Wescley, 22 anos. São jogadores que começaram aqui com 8, 9, 10 anos de idade.
É claro que é um motivo de muita felicidade. Três deles jogaram ano passado,
pegaram uma experiência, jogaram este ano e foram campeões, e ano que vem
estarão mais experientes. Não podemos abrir mão desse trabalho. Estamos tendo
dificuldade de contratar jogadores experientes por causa dos valores. Não
adianta prometer e não pagar, a maioria dos clubes estão com dois, três meses
de salários atrasados. Aqui nós pagamos em dia e vamos sempre bater nessa
tecla.
E em relação ao ano que vem?
O planejamento já começou? Muito se fala que os clubes que subiram precisariam
disputar uma espécie de seletiva para depois serem incorporados ao Estadual com
os chamados quatro grandes.

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